Talvez sua resistência à mudança se manifeste de diferentes formas – se negar a abandonar antigos hábitos, por exemplo. Ou a olhar enquanto a enfermeira tira seu sangue ou a dançar em casamentos. Temos a tendência de recusar as mudanças por razões que, normalmente, são muito difíceis de explicar. Ao menos, até olharmos para a questão sob o ponto de vista científico.
Nos últimos anos, a evolução das tecnologias de analise do comportamento cerebral permitiu o acompanhamento da energia do pensamento da mesma forma como o sangue pode ser acompanhado em seu percurso pelas artérias. E, ao olhar como as diferentes áreas do cérebro respondem a determinados pensamentos, foi possível entender os mecanismos corpóreos da psicologia de forma geral e, em particular, nossa resposta à mudança.
Estes avanços criaram os fundamentos científicos para um dos principais desafios da liderança: a gestão de mudanças. Imagens (geralmente) não mentem e as imagens do cérebro mostram que as nossas respostas às mudanças são previsíveis e universais. Sob a perspectiva neurológica, todos nós respondemos da mesma maneira, ou seja, tentamos evitá-la. Mas entender a química do cérebro e seus mecanismos levou a idéias que podem ajudar os CIOs a reduzir a dor das mudanças e a melhorar a capacidade das pessoas a se adaptar a novas formas de agir.
Porque a mudança dói
Mudar incomoda. E não por fraqueza ou sentimentalismo, mas porque realmente causa desconforto físico e fisiológico. A mudança desperta uma área do cérebro, o córtex pré-frontal, que é como a memória RAM de um PC. O córtex pré-frontal é rápido e ágil, capaz de tratar diversos problemas lógicos ao mesmo tempo. Mas, assim como a memória RAM, tem capacidade finita. E quando ele atinge seu limite gera uma sensação de desconforto, fadiga e até mesmo raiva. Isto acontece porque o córtex pré-frontal está intimamente ligado ao centro emocional do cérebro – a amídala –, que controla nossas respostas às emoções.
O córtex pré-frontal “dá problemas” com facilidade porque ele queima muito combustível de alta qualidade: glicose, ou sangue doce, o que é metabolicamente caro para o corpo produzir. Dado o alto custo energético de manter o córtex pré-frontal em funcionamento, o cérebro prefere se apoiar no hard drive, conhecido como gânglio basal, o qual tem uma capacidade de armazenamento muito maior e consome menos “combustível”. Esta é a parte do cérebro que guarda as memórias e os hábitos que dominam nosso dia-a-dia.
“Na maior parte do tempo, o gânglio basal praticamente é quem cuida do show”, afirma Jeffrey Schwartz, pesquisador e psiquiatra da escola de Medicina da Universidade da Califórnia, em Los Angeles. “Ele controla todo comportamento baseado em hábitos, aqueles que não precisamos pensar para fazer.” Como, por exemplo, muitas atividades do trabalho.
O jogo entre o gânglio basal e o córtex pré-frontal explica a resistência às mudanças. Fazer as coisas como sempre foram feitas depende do uso do gânglio basal – aonde os processos já foram salvos – e consome menos energia que ter de fazer algo diferente, envolvendo o córtex pré-frontal.
Mas a resistência não é inevitável. O córtex pré-frontal tem suas limitações, mas é capaz de autocontrole. É exatamente isto que nos faz humanos – a habilidade de conhecer nossos impulsos e fazer algo a respeito deles. “O córtex pré-frontal tem total influência no nosso comportamento, mas ele não é o único fator determinante”, diz Schwartz. “Nós decidimos o quanto seremos influenciados por nossa biologia animal.”
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